Numa terça-feira qualquer, um servidor deixa de ser necessário. Num Data Center bem gerido, quase ninguém dá por isso.
Antes de lhe tocar, a equipa já sabe que serviços suporta e com que sistemas comunica. Os utilizadores afetados sabem quando será desligado. Quando finalmente sai do rack, as suas portas, a sua tomada elétrica e o seu espaço ficam livres. No dia seguinte, podem ser atribuídos a um novo equipamento.
Não ficam cabos esquecidos e tudo o que se fez fica registado. Por trás, há um método que a equipa aplica sempre.
Em qualquer Data Center, a entrada de um equipamento é planeada ao pormenor. Calcula-se o seu consumo e documenta-se a sua ligação.
As equipas que operam bem aplicam o mesmo rigor à saída. Para elas, retirar um servidor é mais uma operação, com o seu procedimento e um responsável claro. E faz sentido, porque o que se fizer nesse momento afeta todo o Data Center.
Um servidor nunca está sozinho
Um servidor em produção está ligado ao resto do Data Center por dois tipos de ligações.
Por um lado, estão as ligações físicas. Os cabos de cobre e fibra chegam aos patch panels e aos switches, e os de alimentação, às réguas do rack (PDU). Há também as ligações de armazenamento e a de gestão remota. Cada uma ocupa uma porta na outra extremidade.
Por outro lado, estão as ligações lógicas. O servidor tem um endereço IP e regras de firewall que lhe dão acesso. Faz parte da monitorização e das cópias de segurança, recebe patches automáticos e está registado no diretório de utilizadores. Por vezes, há até outras aplicações que se ligam a ele com credenciais escritas no seu código.
Abatê-lo significa desfazer todas essas ligações, uma a uma.
Cada ligação é fechada de ponta a ponta
Uma equipa que opera bem segue cada cabo desde o servidor até ao switch, passando pelos patch panels intermédios. Desliga todo o percurso e regista-o.
Assim, as portas do switch, as posições do patch panel, as tomadas da PDU e as unidades do rack voltam a estar disponíveis. A capacidade é recuperada e a contagem de portas livres continua fiável para a próxima instalação.
Quando só se desliga a extremidade do servidor, o resto fica onde estava. Há portas ocupadas que não prestam serviço e cabos que enchem as calhas sem qualquer utilidade. Se se acumularem sob o pavimento técnico ou dentro dos bastidores, também dificultam a circulação do ar.
No lado lógico, atua-se com o mesmo cuidado. Um sistema que parece inativo pode continuar a receber ligações de outros, como processos agendados ou ferramentas de relatórios. Por isso, as boas equipas deixam o servidor desligado no seu lugar durante algumas semanas antes de o retirar. Se algo depender dele, aparece a tempo e ainda é possível voltar atrás.
O que acontece ao seu histórico
Num Data Center bem gerido, um equipamento retirado continua no inventário com o estado «retirado». É assim que aparece no software que gere a infraestrutura.
Desta forma, conserva-se o seu histórico, desde onde esteve até quando saiu, e qualquer pessoa o pode consultar numa auditoria ou perante um incidente. Para que isto funcione, cada ativo tem de estar bem identificado desde o primeiro dia.
O que se elimina, nesse mesmo momento, são as suas ligações ativas. Cada cabo retirado é atualizado no sistema de gestão e, assim, o inventário continua a refletir a realidade.
A operação dá-se por concluída quando a documentação demonstra o que se fez com o equipamento e com os seus dados. Há casos que mostram porque é que isto importa. Em 2022, o regulador financeiro dos Estados Unidos multou a Morgan Stanley em 35 milhões de dólares, em parte porque discos e servidores retirados de dois dos seus Data Centers acabaram revendidos com dados de clientes.
É assim que as melhores equipas retiram um equipamento
O processo é simples e cumpre-se sempre, tal como o de entrada.
- Consultam o inventário para saber que serviços o equipamento suporta e com que sistemas comunica.
- Avisam quem depende dele e deixam-no desligado no seu lugar durante algumas semanas.
- Retiram-no da monitorização, das cópias de segurança e dos patches, libertam o seu IP e reveem as regras de firewall.
- Desligam cada cabo seguindo o percurso completo, incluindo os patch panels e a tomada da PDU.
- Atualizam o inventário nesse mesmo momento, para que as suas portas e o seu espaço fiquem livres.
- Apagam os dados com um método certificado, guardam a evidência e entregam o equipamento a um operador de gestão de resíduos licenciado.
- Cancelam a manutenção e as licenças associadas.
Cada passo deixa um registo. Essa rastreabilidade permite responder com dados quando alguém pergunta o que aconteceu a um equipamento. Na Bjumper, trabalhamos precisamente para que essa informação esteja ligada e disponível, desde que um ativo entra até que sai.
O que fazer agora
Faça o teste com o último equipamento que retiraram.
Sabe onde está hoje? Tem o certificado de apagamento dos seus discos? Desapareceu do inventário no mesmo dia em que saiu do rack? Continua a pagar a sua manutenção? As portas do switch e do patch panel foram libertadas?
Se responder a todas sem hesitar, a saída dos seus equipamentos está tão cuidada como a entrada. Qualquer dúvida indica-lhe por onde começar.
Se quiser saber em que ponto está a gestão dos seus ativos, pode pedir o nosso relatório gratuito de maturidade dos dados.